[Textos] Psicanálise, gozo e contemporaneidade - Psicanalista Sandro Cavallote
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[Textos] Psicanálise, gozo e contemporaneidade

Acho importante organizar algumas ideias sobre este espaço de transmissão. Redes sociais são efêmeras com suas diretrizes próprias, todas elas focadas no lucro, e é muito cansativo dispender um tempo precioso visando minhas próprias elaborações e, mais ainda, trazer algo que possa ressoar em quem se dá ao trabalho de ler. Sou uma pessoa da escrita e pessoas da escrita gostam de dedicar tempo ao que escrevem e ao que lêem, e as redes sociais parecem detestar esse tipo de pessoa. Mas uma das diretrizes subjetivas ao qual temos acesso na jornada psicanalítica é perceber-se nessa coisa chamada Desejo. E o meu principal é a transmissão de forma adequada, ética e, principalmente, de trocas.

Este espaço sempre estará deteriorado perante o algoritmo. Não me interessa obedecer às instruções de compartilhamento vazias, que busquem um tal “engajamento” que nunca será saciado. Engana-se quem acha que essa plataforma recompensa. O gozo contemporâneo é ainda menos efetivo, por isso a necessidade de tal intensidade da rede de nos manter conectados. Ferenczi relacionou a masturbação como uma “descarga de baixa qualidade”, a rede social traz um rebaixamento ainda mais potente. Talvez pudesse ser caracterizada como uma “descarga de baixíssima e preocupante qualidade” e que, ao seu término, inconclue-se como elemento de prazer, congruente com o desprazer freudiano. E dá-lhe Princípio da Realidade…

Divagações à parte, esse post é auto-referenciado no sentido de aplacar minimamente as minhas expectativas por aqui, porque a minha clínica é focada na contemporaneidade (mudanças no cenário atual, política, econômica, social ou culturalmente envolvidas) visando uma melhoria em nossa coexistência como seres singulares, mas que atuem na sociedade. Neste contexto, palavras como racismo, sexo, depressão, ansiedade, saúde mental, gênero, pornografia são elementos constituintes das angústias atuais.

E o algoritmo pune quem as usa. Afinal, tudo tem que ser f3licid4de no Instagram. E já que serei punido, que seja pelo que estudo e me importo. Tentar driblar essa hipocrisia trocando letras por números, por exemplo, não faz parte do enfrentamento contemporâneo.

Sendo assim, sigamos.