Quais as diferenças entre simpatia e empatia? - Psicanalista Sandro Cavallote
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Quais as diferenças entre simpatia e empatia?

O assunto é meio recorrente, mas em momentos em que temos um governo apático, com um discurso difuso, mentiroso e focado em confusão, é sempre importante relembrar algumas diferenças fundamentais sobre simpatia e empatia.

Simpatia (do grego sypatheia: syn, “junto” + pathos, “sentimento”) é a percepção, compreensão e reação ao sofrimento ou necessidade de outra forma de vida. Ou seja, é o ato de afinidade com o outro através da percepção de um sentimento. Simpatizamos com amigos, familiares, conhecidos que reconhecemos alguma compatibilidade e que possam complementar algo sobre nós mesmos.

Simpatia é observação e busca em similaridades. É saber da existência de um sentimento, consolidar-se, mas não necessariamente tomar uma ação sobre aquele sentimento.

É muito mais sobre o singular.

Empatia (O termo advém do grego EMPATHEIA, formado por EN-, “em”, mais PATHOS, “emoção, sentimento” e Aristóteles usava o termo “em-pathein” no sentido de “animação do inanimado”). Podemos sentir empatia por muitas coisas e pessoas além do que pode estar dentro de uma afinidade pessoal.

Empatia implica na capacidade de nos posicionarmos no lugar do outro, independente da pessoa/situação/sentimento em questão. É uma visão de comunhão emocional, aceitação e respeito pela realidade do outro. Olhar para o outro sem isenção, sem o intuito de obter algum tipo de aprovação ou valorização.

É muito mais sobre o plural.

O que temos visto nos últimos anos é uma falta da capacidade emocional de se colocar no lugar do outro, de ser realmente empático com a situação coletiva, visando apenas o que é melhor para o seu eu. Devido à narrativa do ódio (violência física/emocional/psicológica + projeção da raiva e frustrações + normalização da barbárie) dá-se a conotação de que simpatia e empatia são sinônimos, mas não são.

Ser empático é deixar de ser um mero observador para tornar-se protagonista. É criar conexões afetivas e intuitivas. É transformar e deixar-se sem transformado pelo bem coletivo.

E você? Consegue se colocar no lugar das pessoas quando toma suas decisões?