
Livro – “Frederic, William e a Amazona – perseguição e censura aos quadrinhos”
Quando falamos em aula sobre o contínuo do estudo da Psicanálise, também abordamos conteúdo transmídia, afinal existem diversas formas de comunicação e os quadrinhos estão entre as principais.
Indo muito além do constructo relacionado a heróis, o conteúdo pode trazer estruturas visuais, irreverência e novas formas de olhar para um mesmo tema.
Um dos excelentes casos é “Fredric, William e a Amazona: Perseguição e Censura aos Quadrinhos”, uma graphic novel da Pipoca e Nanquim, que narra a verdadeira caça às bruxas no mundo do entretenimento, literatura e cultura nos anos 50, nos Estados Unidos que culminou com uma censura representada por um selo que aprovava os conteúdos.
E por que a Psicanálise estaria envolvida nisso? Porque o início do método foi desenvolvido por Frederic Wertham, um psiquiatra forense que durante algum tempo trocou correspondências com Freud e que utilizou de sua criação para escrever o livro “A sedução do inocente”, que foi utilizado como base para o desenvolvimento da documentação que culminou com o tal selo. E, em paralelo, temos William Marston, que participou da invenção do detector de mentiras e também da personagem amazona que viria a ser conhecida como Mulher Maravilha. E em qual momento suas histórias se cruzam? A partir da criação de um movimento de repulsa aos quadrinhos focando como se eles fossem a causa da delinquência nos Estados Unidos, e com alguns quadrinistas buscavam a emancipação feminina e a liberdade de expressão.
Um documento visual riquíssimo de uma importante batalha que reverbera até hoje em toda a estrutura de cultura pop do mundo.
(Agradecimento especial ao amigo Douglas, que só me presenteia com pérolas)