
[Filmes] O mau exemplo de Cameron Post
Quando falamos de adolescência, falamos de uma época bastante confusa em nossas vidas. Entre as várias dificuldades e confusões às quais estamos suscetíveis, temos que lidar com uma estrutura biológica relacionada a afetos que, diferentemente de nossa infância, pode ir ao ato. A sexualidade (em sua perspectiva fisiológica, não apenas na construção freudiana) estará latente e, agora, com o ferramental psíquico e biológico necessários. Portanto é um momento de percepção de si e de enfrentamentos diversos, inclusive das experiências que serão direcionadores em nossa vida.
Neste processo, muitos pais podem sentir-se perdidos em relação à criação dos filhos, posicionando-se com mais veemência em seus próprios preconceitos e em suas próprias dúvidas, onde elementos de não-aceitação do desejo dos filhos certamente podem se apresentar. Muitos se fecham em um momento que deveriam se abrir, e tal fechamento permite uma intensificação das distâncias de comunicação com os filhos. Aí a oportunidade de Escuta e de aprendizado geracional se fecha. E, muitas vezes, se encontra na religião uma oportunidade educacional.
“O mau exemplo de Cameron Post” traz esse tema tão importante para o debate, o das comunidades terapêuticas. Fundamentadas muitas vezes em dimensões religiosas, foca-se pouco no acolhimento e muito na mudança comportamental sem a oportunidade de uma Escuta sobre o sujeito em sua singularidade. Esquece-se das ambivalências da adolescência, de quem se encontra nesta situação de entender-se, de sentir-se, de desenvolvimento de sua própria identidade em uma grande pressão social. E o resultado de processos punitivos, ideológicos e de imposições, na grande maioria das vezes, não acaba bem.
Disponível no Prime.