
Filme: Moonrise Kingdom
Sou um grande fã de Wes Anderson. Para mim, a estrutura que ele emprega é uma união de visual teatral extremamente funcional, malabarismos estéticos multicoloridos, textos construídos com exatidão para que nos afeiçoemos aos personagens e sua história, além de uma formatação simétrica que beira o perfeccionismo. E, após assistir sua última obra, “A Crônica Francesa”, fiz uma pequena revisita a um de seus filmes que mais me trouxeram lembranças e referências.
“Moonrise Kingdom” é uma fábula, mas poderia também ser parte do livro dos dias de cada um de nós. Nosso reencontro com a castração na jornada da adolescência, nosso brincar de ser adulto com todas as responsabilidades envolvidas – em suas devidas dimensões infantis – ou, quem sabe, nossa relação com aquele Desejo que nem sabemos muito bem do que se trata, mas que está ali. Lembranças afetivas individuais, singulares, permeiam visualmente e nas ações dos atores, onde a confusão sobre quem é adulto e quem é criança nos mostra muito da criança-no-adulto, tão importante na visão psicanalítica.
Ou, talvez, seja apenas um filme para adultos que tenham perdido a sensação de como a inocência é importante, perene, avassaladora e complexa.
E é sempre maravilhoso dar essa revisitada nos sentimentos, sejam eles difíceis ou alegres. Não há como fugir de nossa infância, mas há como observá-la de novas perspectivas.
Mas não se enganem: este não é um filme sobre dor. É um filme sobre redescobertas, tudo feito de maneira muito leve, observadora, crítica e bela.
(Está disponível no Prime Vídeo)
“Moonrise Kingdom”
Dir: Wes Anderson