
[Documentário] “O método de Stutz”
Ontem durante a aula ao vivo na EPC, tivemos uma introdução aos conceitos lacanianos e de como, muitas vezes, há uma visão sobre o entendimento pleno de Lacan como se fosse uma parte fundamental na psicanálise, uma “continuidade a Freud”, sendo que cabe muito mais uma percepção de revisita aos conceitos freudianos, inclusive com muitas críticas. E de como “entender Lacan” se torna um imperativo para a jornada psicanalítica, ocasionando angústias desnecessárias sendo que Lacan nunca se propôs a uma teoria “simples”. Lacan é para ser sentido, continuado e estudado dentro da jornada. Mas, invariavelmente, para aqueles que se sentiram atraídos pelo seu conteúdo. E caso você seja uma das pessoas que não sentiu isso, está tudo bem. Somos muitos e não menores por conta disso.
A verdade é que há diversos autores que podem causar uma identificação com a clínica ou com os estudos que cada um. A base freudiana sempre será a perspectiva de construção de uma clínica psicanalítica, e isso é um fato. Mas, a partir dele, há muita gente que vale a pena ser estudada e que trazem conceitos riquíssimos. Nem tudo é resistência, às vezes a gente só não gostou de algo e precisa também se perceber dentro deste sentimento. A psicanálise tem que libertar, e não prender mais ainda. É a apresentação de nossa relação com o desejo.
Aí lembrei deste doc sobre o manejo pessoal de um psiquiatra, Phil Stutz. E um dos seus pacientes, o ator Jonah Hill, monta uma entrevista com Phil, para que ele possa falar sobre seu método. Mas o que me impressiona não é o Stutz em si, mas como o paciente é tocado por sua clínica. É evidente que o ator quer que outras pessoas sintam o que ele sentiu, sua transgressão de si dentro do processo. A construção de sua própria forma de acolhimento é a expressão que tanto necessitamos no setting. Mais do que divergirmos, precisamos respeitar a base da psicanálise, mas encontrar novas formas de enfrentamento contemporâneas, que falem com o sofrimento transmutado que existe hoje.
Eu posso não ter me identificado com o manejo de Stutz. Mas certamente me identifiquei com a alegria, o sofrimento e as dificuldade do analisante. E a clínica, no final, é sobre isso.